sábado, 15 de setembro de 2012

O Som


O som é como a liberdade.
Ninguém o pode prender,
ninguém pode prescindir dele,
não se pode encarcerá-lo,
porque de todos os lados ele sai vitorioso.
E não há meios de ser esquecido,
ou desdenhado,
ou abafado,
ou espezinhado.
E está em toda parte,
menos dentro do mundo onde vive a morte.
Está nos gritos da criança,
quando nasce ou quando brinca.
Esta nos céus,
no barulho das asas,
que transportam os viajantes para o reino da esperança.
Esta no seio das florestas,
compondo a vida das árvores e das feras,
que lutam para sobreviver.
Esta no murmúrio dos rios,
no canto das aves,
na boca dos trovões,
nos lábios que beijam,
no coração que bate,
nas preces que pedem paz,
nos gritos de escárnio,
no ventre dos órgãos,
nas cordas do violino,
no coração da borboleta,
onde houver vida, enfim,
mas só pode ser ouvido,
Quando se faz silêncio


Por Gildo Lopes